Sintra vai criar Centro de Interpretação Literário

0
30

O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta anunciou que a autarquia vai reabilitar a Casa Francisco Costa e simultaneamente o recém-adquirido Mont Fleuri para dedicar esses espaços à cultura, à literatura e às artes.

“Na Casa Francisco Costa, na vila velha, será instalado o Centro de Interpretação Literário de Sintra. Reunirá todos os autores, nacionais e estrangeiros, que escreveram ou tiveram alguma relação com Sintra, desde a antiguidade clássica aos dias de hoje”, afirmou na Basílio Horta, presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Francisco Costa (1900-1988), poeta, romancista e historiador foi um sintrense amante da sua vila natal. Em Sintra veio colher inspiração para a obra literária que publicou ao longo de seis décadas e a sua casa situada na rua Sacadura Cabral, ao Morais, mesmo em frente da serra verde, foi idealizada pelo arquiteto Raul Lino.

Recentemente adquirida pela autarquia, na propriedade Mont Fleuri serão realizadas conferências de grandes nomes da literatura, da filosofia e da política mundial, bem como outros eventos (colóquios, exposições temporárias, concertos, etc.)

Este imóvel com interesse municipal, é estruturante para a consolidação e valorização do edificado e da malha urbana integrada na classificação de Património Mundial, oportunamente atribuída pela UNESCO.

A proximidade com outros imóveis e espaços municipais, onde se destacam a Quinta da Regaleira e o Parque das Merendas (que fazia parte dos terrenos adjacentes que a câmara assumiu a propriedade em 1933, mas que nunca saiu da posse do município), vai permitir um incremento da intervenção cultural do município, assim como a fruição coletiva de espaços que se desejam públicos e de acesso universal.

 

Quando esta casa, feita mesmo em frente
da serra verde, ainda mal se erguia,
e as traves da futura moradia
eram belos pinheiros, simplesmente,
houve uma tarde, sob um sol ardente,
em que o suor em bagas escorria
da testa dos pedreiros e fazia
da cal e areia uma argamassa quente.

Hoje, há paredes contra os vendavais,
mas é cá dentro que soltamos ais
nos dias mais aflitos ou mais duros.
Enquanto gemem temporais lá fora,
pagamos nós em lágrimas, agora,
a dor incorporada nestes muros.

(Francisco Costa, Última Colheita, 1987, p. 13)