Projecto “Volta ao Mundo”

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Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Mira-Sintra (ARPIMS), fundada pela Srª Maria de Lourdes Lopes a 12 de Abril de 1990, sentiu nos seus utentes a curiosidade em conhecerem o mundo e de modo a responderem a este pedido criaram o projecto “Volta ao Mundo”,  tendo por base almoços temáticos de diversos países, proporcionando-lhes experiências únicas e internacionais, começando por algumas curiosidades sobre os seus costumes e tradições, passando pelo paladar e no final uma exibição de dança e canto.

O Projecto “Volta ao Mundo” teve início em 2016 e até agora já realizaram cinco almoços temáticos, Índia, Brasil, Espanha, China e México foram os primeiros países escolhidos. Em Outubro organizaram um almoço temático dedicado à Argentina, como convidado o chef Chakall. 

Ao ritmo do tango e sons latinos o chef Chakall criou e confeccionou um menu típico da Argentina que deliciou os presentes. Teve o apoio da embaixada da Argentina em Portugal,
com a presença do embaixador o Exmo. Sr. Oscar Moscariello, o Sr. Eduardo Quinta Nova, vereador da Câmara Municipal de Sintra e o presidente da junta de freguesia de Agualva e Mira-Sintra o Sr. Carlos Casimiro estiveram também presentes. 

Estivemos à conversa com a presidente da associação a Drª Rita Pereira que nos falou do sucesso que o projecto está a ter e o que o futuro poderá trazer.

Revista Viva Sintra: Como surgiu o projecto “Volta ao Mundo”?

Rita Pereira: O Projecto “Volta ao Mundo” surgiu na elaboração do Plano Anual de Actividades 2016/2017 da ARPIMS.

Os Planos de Actividades sempre foram pensados com a perspectiva de sair do Centro de Dia, e prevêem pelo menos um passeio semanal, muitas vezes com destino sugerido pelos próprios utentes. Deste modo, os Séniores sempre passearam muito. Contudo era frequente revelarem vontade de conhecer outros países, andar de avião e conhecer outros sabores. 

Assim dadas as inúmeras limitações de concretizarmos esta sua vontade, pensámos: já que não podemos ir, porque não trazer o mundo até nós?

Foi assim que nasceu a ideia de recrear o ambiente dos países dentro da ARPIMS, através de Festas Temáticas com a elaboração de um menu típico do país, decoração típica, grupos de música, dança e expressões artísticas dos países, venda de souvenirs e outras atividades.

Foi criado um passaporte ARPIMS com os países previstos, que os participantes poderão ir carimbando na página do país. O objectivo é dar a “Volta ao Mundo aos 80 anos” coleccionando o maior número de países possíveis.

É uma ideia inédita e muito bem sucedida.

RVS: Sabemos que o projecto tem sido um sucesso, têm planos para que continue a crescer?

RP: Sim, o Projecto tem vindo a ganhar uma dimensão inesperada e de festa para festa temos vindo a ser surpreendidos com a procura do público e o apoio de entidades que se querem juntar a nós, como tem sido o caso das Embaixadas, pessoas conhecidas e das Comunidades dos Países.

Neste último almoço tivemos pessoas a telefonar da Argentina para se inscreverem. 

Podemos dizer que em termos de lotação o projecto já atingiu o seu espoente máximo. Tem contado com sala cheia, as inscrições esgotam rapidamente e dentro da ARPIMS não temos capacidade para acolher além das 100 pessoas por almoço. Tem sido um sucesso mas que por falta de espaço e logística não poderemos alargar a mais pessoas, mantendo a qualidade que desejamos.

RVS: Já têm ideias para o próximo almoço temático que nos possam desvendar?

RP: Já estamos a trabalhar no próximo almoço mas ainda não poderemos desvendar o destino nem a data. Sendo a ARPIMS uma Instituição Particular de Solidariedade Social os seus recursos financeiros são limitados e sobretudo destinados a satisfazer as necessidades básicas de quem de nós precisa. Obviamente que as festas têm custos, como tal, apenas estamos em condições de realizar uma festa temática desta natureza, quando estamos munidos dos devidos apoios e patrocínios.

De facto, às vezes é o trabalho que demora mais a fazer e por isso não realizamos a quantidade de festas anuais que gostaríamos e que a comunidade nos pede.

Mas tem-se conseguido bastante suporte e vai sendo possível realizar algumas anualmente.

Como é uma ideia única a nível nacional temos tido muitos apoios espontâneos e pessoas a associarem-se a esta ideia.

Todo este projeto requer tempo de preparação, angariação de apoios e muita organização. Cada festa é organizada e preparada ao pormenor com um plano detalhado que requer tempo. 

Quando achamos que as condições estão reunidas, avançamos com a divulgação do destino. 

RVS: Como têm sido as opiniões da comunidade local a este projecto?

RP: Este projecto começou por ser destinado apenas aos utentes da ARPIMS, mas rapidamente atraiu o interesse dos associados e da comunidade local que começou a solicitar que as vagas fossem abertas.

A ARPIMS abriu as portas e todos os que se manifestam interessados podem inscrever-se e participar.

Não obstante, começou também a ter impacto fora da Freguesia e do Concelho e começou a ter procura pelas comunidades do mundo presentes em Portugal.

Hoje podemos dizer que este projecto abriu a ARPIMS à comunidade e às comunidades mas que também levou a ARPIMS, o Concelho de Sintra e a Freguesia de Agualva e Mira Sintra pelo mundo através da divulgação desta iniciativa que já é amplamente conhecida.

RVS: Qual é o feedback dos utentes da instituição?

RP: Sendo este projecto criado a pensar neles, sempre teve como base primordial a sua integração social, cultural e envolvimento activo no dia a dia da Instituição.

Consideramos que o apoio “ básico” a que a instituição se propõe como a sua higiene, alimentação, bem – estar e outras está satisfeito e bem incrementado. É isso que fazemos há muitos anos todos os dias.

Mas as pessoas precisam de mais, precisam de se sentir vivas, activas e participantes. Não são apenas um corpo! Têm uma alma e têm de se sentir alegres e felizes. Um corpo são mas uma mente também sã e alegre. Sentimos necessidade de cuidar das pessoas por fora e por dentro.

Assim, toda a preparação, das festas cria uma dinâmica diária fantástica para estas pessoas. A azáfama que antecede as festas envolve toda a instituição e isso traz boa energia à pessoas que estão envolvidas, sobretudo aos seniores.

Desde a elaboração de ornamentos decorativos, costura de toalhas, aventais, colagens… tudo é feito num trabalho consertado entre  equipa e os utentes. Sentem que as festas não só são para eles como são deles.

Esta preparação além de lhes dar conhecimentos novos sobre o mundo também lhes trás objectivos, vida e grande ocupação do seu tempo. Há um objetivo diário. Viajar e preparar viagens é viver. É notória a sua felicidade com o resultado de cada festa. Sentem-se parte integrante destes eventos e isso deixa-os muito contentes com os resultados. Ali está espelhado o fruto do seu trabalho. 

Uma Senhora uma vez, no auge de uma das festas dizia a uma funcionária : “Hoje é o dia mais feliz da minha vida!”. Esta é também a maior retribuição do nosso trabalho.

RVS: Pretendem criar outro tipo de iniciativas deste género?

RP: Sim, temos muitas ideias de outros projectos que gostaríamos de implementar no futuro. Um deles a arrancar talvez ainda este ano.

RVS: Sente que estes almoços aproximaram a comunidade local dos utentes da instituição?

RP: Sem dúvida! Da comunidade local, nacional e do mundo! 

Têm vindo pessoas de todas as partes à ARPIMS.